Pastel de Tentúgal

“Este doce conventual nasceu no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Tentúgal. Fundado em 25 de Março de 1565 por ação de D. Francisco de Melo, 2º Conde de Tentúgal, integrou freiras da Ordem das Carmelitas Calçadas. O seu património foi saqueado durante as invasões francesas e em 1834 foi extinto, tal como os outros conventos. Contudo as freiras mantiveram-se nele até 1898, altura em que faleceu a última freira.

O fabrico e venda de doçaria para a sociedade civil foi sempre uma boa fonte de rendimento dos conventos e a fama destes pastéis vêm de longa data. A sua apreciação foi exaltada em poemas e em prosa em várias obras.

Em que data iniciaram a produção dos pastéis de Tentúgal não se sabe, mas é curioso que seja referida a existência nesse convento de uma «porta da farinha», alusão ao local de entrada desta, o que faz supor a aquisição de uma quantidade importante deste produto. Podemos deduzir que se destinava, pelo menos em parte, à confecção dos seus doces.

Na realidade a farinha de trigo, bem alva, tem um papel importante no pastel de Tentúgal. Necessita de ser fina e bem peneirada, embora o mais difícil seja trabalhá-la, atividade que exige vários anos de experiência.
Após a extinção do convento uma das pessoas que aí exercia funções para as freiras Maria da Conceição Faria (1851-1940) começou no exterior o fabrico deste tipo de pastéis, a que se seguiu a sua filha Branca Faria Delgado. Com a morte desta suspendeu-se o fabrico mas outros pasteleiros se seguiram e hoje existem várias casas comerciais com esse fim, que se agregaram numa Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal.
Visitei o fabrico deste pastel na Casa Afonso e pude verificar a mestria exigida às pasteleiras para a produção da diáfana massa.

Começando com um disco de cerca de 50 centímetros a massa vai sendo esticada até atingir a finura que lhe é própria. O movimento dado à massa, provocando ondas manualmente ou com auxílio de panos, ajuda o ar a torná-la mais branca e fina. No final a massa assemelha-se a um papel vegetal que ocupa todo o pavimento da sala e que é recortado em feitio de leque ou meio círculo para formar os “tubos” ou as “meias luas”.
É depois recheado com ovos moles, colocados sobre a massa que é enrolada e colada com manteiga derretida pincelada com uma pena de ave. O calor do forno aloura as pontas levantadas que se derretem depois na boca.
Produção Tentugal
Este ano o pastel obteve o desejado estatuto de indicação geográfica protegida e os 200 pasteleiros que trabalham nesta área, ficaram mais seguros. O mesmo se pode dizer dos consumidores que saboreiam este delicioso doce conventual.”
Fotografias tiradas e Artigo escrito por Ana Marques Pereira no blog Garfadas Online.

Pode ainda ver o vídeo da produção deste Tesourinho na nossa página do Facebook.

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